Segunda-feira, Junho 26, 2006

Brasil Campeão Moral - 1978

Atendendo a pedidos, meu pai continuou o texto sobre as Copas do Mundo que acompanhou. O de hoje trata do mundial de 78, na Argentina. Para quem gostou do anterior, vale a pena conferir este.

Brasil Campeão Moral - 1978

Jorge Pereira de Macedo

Na época do “Overlapping” e do “ponto futuro” eu já era um jovem de quase 22. Mudou muita coisa desde a Alemanha? Parece que não. A partir da 4ª copa, as coisas começam a demorar um pouco mais para mudar. Vejamos: deixei de ser auxiliar de contabilidade para ser um assistente administrativo. Mas agora eu era funcionário de uma grande empresa estatal. Já tinha até o meu carro, ou melhor, meu fusca. E mais: já era universitário. É. Admito, mudou um pouco.


Mas o que é “overlapping” e “ponto futuro”? Para quem não é dessa Copa, vou dizer: eram apenas algumas das modernas táticas do então preparador físico e agora técnico capitão Cláudio Coutinho, que consistia, no dizer dele, numa jogada ensaiada em que o lateral passava pelo ponta em desembestada carreira, certo de que lá no “ponto futuro”, a linha de fundo, ele deveria alcançar a bola, que lhe havia sido lançada, e efetuar o cruzamento para o meio da área.

Isso explica por que às vezes, em alguns jogos da copa, o ponta-direita Gil era sacado para entrada de um outro lateral-direito Toninho ou Nelinho. A tática tinha que ser executada por laterais. Para essa função, na lateral esquerda tinha o veloz Rodrigues Neto, que eu conheci ponta-esquerda do Flamengo e depois tornou-se lateral, além de jogar em outras posições. Era um coringa. Para receber tais cruzamentos, contávamos em nosso ataque com Zico e Reinaldo no primeiro jogo, no empate de 0 a 0 contra a Espanha, e Jorge Mendonça e Roberto Dinamite nos demais jogos.

Além de muita “tática”, o técnico promoveu várias mudanças da equipe no decorrer da competição. Por isso, não agora, mas desde a época, nunca soube dizer quem era o time titular da seleção brasileira. E não sei exatamente por que, assim como consigo recitar, até hoje, a escalação do Brasil de 1970, também sei de cor a seleção argentina campeã dessa copa de 1978: Fillol, Olguín, Galván, Passarela e Tarantini (doido, doido), Ardiles, Gallego e Kempes, Bertoni, Luque e Ortiz.

Quanto a nossa seleção, era um revezamento constante (acho que era tática). Além da mudança da dupla de comandantes do ataque a que me referi antes, tinha as constantes trocas do Nelinho por Gil ou Toninho; o Rivelino fez último jogo pela seleção, e jogaram ainda Chicão, Batista e Edinho. Imexíveis mesmo parece que só o goleiro Leão, os zagueiros Amaral e Oscar e o meia Dirceu.

A Argentina, organizadora do torneio, que empatou com o Brasil e perdeu para a Itália, sagrou-se campeã. Ao time brasileiro, mesmo permanecendo invicto, coube o 3º lugar. Estranho? Coisas do regulamento da época, combinado com o goleiro da seleção do Peru, Quiroga (ou Quidroga), que no jogo da semi-final, permitiu aos argentinos enfiarem 6 a 0, ultrapassando o Brasil no saldo de gols. Assim, eles foram para a final com a Holanda e nós vencemos a disputa do 3º lugar com a Itália. Tornamo-nos então, como disse o técnico Cláudio Coutinho, os campeões morais da copa de 1978.

3 Comments:

Blogger chuchu said...

muito bom! chico, acho que é melhor você desistir desse espaço e ceder para o seu pai..hehehe
brincadeiras à parte, esse blog é muito bom!
chico, quero post do jogo de ontem!
beijocas

11:37 AM  
Anonymous Hugo said...

só podia ser argentino naturalizado mesmo aquele goleiro

7:23 PM  
Anonymous mauricio wanderley said...

Muito bem lembrado: overlapping, ponto futuro. As entrevistas do finado Capitão Técnico Cláudio Coutinho eram cheias de termos "refinados". Pena que ficamos a ver navios.

6:59 PM  

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