Voa Canarinho, voa...(Espanha-1982)
Antes de engrenar no Campeonato Brasileiro e nas finais da Copa do Brasil recomendo a leitura do último texto do Jorge (meu pai) sobre as Copas do Mundo que acompanhou. O post segue a mesma linha dos anteriores. A trajetória de vida do autor marcado no tempo e no espaço pelo calendário dos que amam futebol. Ou seja, de quatro em quatro anos. Volto a lembrar que o blog está disponível a quem se sentir inspirado para escrever algo relacionado a futebol. Já chegamos aos quatro dígitos em relação a visitas diárias.
Jorge Pereira de Macedo
Bem, depois da gentileza do Paniago, resolvi que era hora de continuar a história: Eu e as Copas. Capítulo de hoje – A Copa da Espanha – 1982.
Em 82, eu já estava casado há três anos e meio e, talvez, para superarmos as dificuldades de adaptação à nova vida, já estava na quarta residência. Agora morávamos na 706/707 norte, vocês conhecem. Aliás, morar ali era um esforço a mais para que eu pudesse concluir meu curso no Ceub. A TV para assistir a Copa foi adquirida graças a incentivos do Governo na época. Era colorida. Pagamos em 15 prestações.
Já tínhamos também uma filhinha que era bem sabidinha. Desde cedo, dava mostra do que viria a ser duas décadas depois: filósofa. Vou contar duas passagens dessa época que atestam isso. Um dia a deixamos em casa sozinha dormindo enquanto dávamos um pulinho ali no Eureka. Quando voltamos, ela havia acordado e estava sentadinha com a cabeça encostada na mesa. Oh, filhinha! Você acordou meu amor. Ficou com medo? E ela: não, só estava aqui pensando.
Certa vez eu a levava para a escolinha Don José Newton, ali na 905 norte. Íamos caminhando de mãos dadas quando, depois de alguns minutos de silêncio, perguntou-me: Papai, o sol nunca se encontra com a lua? Era ou não era uma pequena filósofa?
E a Copa? Bom, comentar a Copa de 82 agora, logo após nossa eliminação na Alemanha, é fácil. Digo isso em razão das grandes diferenças entre os dois times. Vamos lá. A seleção de 82 tinha um time titular inquestionável, todos craques, ou melhor, 10 craques e o Serginho. Este foi titular em razão do corte na última hora, por problemas médicos, de um dos melhores centroavantes que eu já vi jogar: Careca. Campeão brasileiro pelo Guarani em 1978. Depois jogou no São Paulo e no Napole, junto com Maradona.
Além do Serginho, que se divertia perdendo gols, estava entre os convocados Roberto Dinamite, que já havia jogado a Copa de 78 tomando o lugar de outro grande centroavante: Reinaldo. De qualquer forma, naquele time não tinha lugar para atacantes tipo “tanque”. Foi uma pena o Careca ter machucado.
Os outros reservas eram de pouquíssima expressão. Só para lembrar: Edevaldo, Edinho, Pedrinho, Paulo Isidoro e Dirceu, que já tinha brilhado na copa de 78. A primeira diferença então é essa: 82 tínhamos time, mas não tínhamos banco. Em 2006, tínhamos banco, mas não tínhamos time. Simples assim? É. Porque time se faz com treinos e nisso o mestre Telê era muito bom. Por hoje é só. Até a Copa da África do Sul e eu conto o resto.
Jorge Pereira de Macedo
Bem, depois da gentileza do Paniago, resolvi que era hora de continuar a história: Eu e as Copas. Capítulo de hoje – A Copa da Espanha – 1982.
Em 82, eu já estava casado há três anos e meio e, talvez, para superarmos as dificuldades de adaptação à nova vida, já estava na quarta residência. Agora morávamos na 706/707 norte, vocês conhecem. Aliás, morar ali era um esforço a mais para que eu pudesse concluir meu curso no Ceub. A TV para assistir a Copa foi adquirida graças a incentivos do Governo na época. Era colorida. Pagamos em 15 prestações.
Já tínhamos também uma filhinha que era bem sabidinha. Desde cedo, dava mostra do que viria a ser duas décadas depois: filósofa. Vou contar duas passagens dessa época que atestam isso. Um dia a deixamos em casa sozinha dormindo enquanto dávamos um pulinho ali no Eureka. Quando voltamos, ela havia acordado e estava sentadinha com a cabeça encostada na mesa. Oh, filhinha! Você acordou meu amor. Ficou com medo? E ela: não, só estava aqui pensando.
Certa vez eu a levava para a escolinha Don José Newton, ali na 905 norte. Íamos caminhando de mãos dadas quando, depois de alguns minutos de silêncio, perguntou-me: Papai, o sol nunca se encontra com a lua? Era ou não era uma pequena filósofa?
E a Copa? Bom, comentar a Copa de 82 agora, logo após nossa eliminação na Alemanha, é fácil. Digo isso em razão das grandes diferenças entre os dois times. Vamos lá. A seleção de 82 tinha um time titular inquestionável, todos craques, ou melhor, 10 craques e o Serginho. Este foi titular em razão do corte na última hora, por problemas médicos, de um dos melhores centroavantes que eu já vi jogar: Careca. Campeão brasileiro pelo Guarani em 1978. Depois jogou no São Paulo e no Napole, junto com Maradona.
Além do Serginho, que se divertia perdendo gols, estava entre os convocados Roberto Dinamite, que já havia jogado a Copa de 78 tomando o lugar de outro grande centroavante: Reinaldo. De qualquer forma, naquele time não tinha lugar para atacantes tipo “tanque”. Foi uma pena o Careca ter machucado.
Os outros reservas eram de pouquíssima expressão. Só para lembrar: Edevaldo, Edinho, Pedrinho, Paulo Isidoro e Dirceu, que já tinha brilhado na copa de 78. A primeira diferença então é essa: 82 tínhamos time, mas não tínhamos banco. Em 2006, tínhamos banco, mas não tínhamos time. Simples assim? É. Porque time se faz com treinos e nisso o mestre Telê era muito bom. Por hoje é só. Até a Copa da África do Sul e eu conto o resto.


Gostei. Acho q os textos do Sr. Macedo devem ser frequentes por aqui :)
sendo mais direta: lindo texto.
o texto do Macedo Pai é muito bom. Todos eles são muito bons. Eu sou a favor do Chico transferir logo o blog para o papai dele que ficará mais interessante.
bjs
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põ,que serginho chulapa foi um equivoco tudo bem.
agora questionar a qualidade do dinamite é sacanagem,pois apesar do porte, roberto sempre foi habilidoso;tendo entre seus gols algumas obras primas.
o que carecafez em 86?e em 90?
quando ele e miller foram titulares,deixando bebeto,r romário q haviam arrebentado na copa américa de fora.
müller e careca não assustavam ninguem e junto com silas marcaram uma geração insignificante na história do nosso futebol´com suas firulas inúteis.
no mais tá maneiro o site!